O debate econômico voltou a destacar produtividade, segurança jurídica e o papel do Estado, temas que apareceram com força no Encontro Fretamento 2025, realizado em Foz do Iguaçu. O evento promovido pela ANTTUR e FRESP reuniu transportadores, contratantes e empresas de tecnologia para discutir tendências, eficiência e o futuro do setor. A palestra de abertura reforçou que, sem competição, organização e regras previsíveis, o país cresce pouco e o fretado sente isso diretamente na operação.
Produtividade não é um conceito abstrato
Produtividade significa fazer mais com os mesmos recursos. Em mercados organizados, as empresas conseguem operar com menos desperdício e mais foco. No fretado, isso se traduz em maior ocupação dos veículos, rotas mais previsíveis e menos atrasos. Quando esses fatores não evoluem, os custos sobem e a margem diminui, especialmente em contratos exigentes.
Competição e especialização como motores de eficiência
A competição estimula a busca por eficiência e a especialização reduz desperdícios. No fretado, isso aparece em ações simples como organizar horários de pico, redesenhar rotas com base em dados e ajustar manutenção conforme o tipo de uso. Não exige grandes tecnologias, mas disciplina e rotina. Experiências internacionais reforçam que sistemas com bons incentivos operam melhor.
PPPs (Parcerias Público-Privadas) e infraestrutura: quando o chão melhora, o serviço responde.
O evento destacou a importância dos investimentos em infraestrutura. Estradas melhores reduzem atrasos, diminuem quebras e aumentam a confiabilidade do planejamento. A operação precisa acompanhar essas mudanças, observando como trechos críticos se comportam e ajustando contratos e rotas conforme necessário.
Reformas do Estado e segurança jurídica
Regras mais simples e agências reguladoras mais fortes permitem que transportadores e contratantes planejem melhor. Segurança jurídica reduz improvisos, dá previsibilidade para renovação de frota e ajuda a manter estabilidade operacional. Em ambientes assim, qualidade e eficiência passam a ser diferenciais competitivos.
O contraste internacional e a armadilha da vetocracia
A vetocracia acontece quando muitas pessoas podem impedir uma mudança, mas poucas conseguem fazê-la avançar. No fretado, isso ocorre quando ajustes simples dependem de longas aprovações ou regras que não se conversam. Processos mais claros, decisões baseadas em fatos e documentação reduzem conflito e permitem inovação
O papel ampliado do setor privado
Com o Estado limitado em investimentos, cresce a responsabilidade do setor privado em entregar soluções de qualidade. Isso exige métricas claras e rotinas de avaliação. No fretado, indicadores confiáveis se tornam essenciais para alinhar expectativas e melhorar a operação.
Juros elevados e crédito seletivo
Com a Selic alta, financiar veículos fica mais caro e o retorno dos investimentos demora mais. Empresas com histórico organizado e dados confiáveis conseguem negociar melhores condições de crédito e se preparar melhor para momentos de queda dos juros. Boa gestão se torna vantagem financeira.
B15 e o custo invisível da manutenção
A mistura de biodiesel B15 aumentou o desgaste de filtros e sistemas, principalmente em linhas severas e regiões frias. Isso encurta ciclos de troca e exige manutenção mais cuidadosa. O ideal é ajustar o calendário conforme o perfil da rota, garantindo disponibilidade da frota e controle de custos.
Lei do Motorista e a viabilidade de longas distâncias
A regra de jornada não é o problema, mas a falta de planejamento. Escalas bem feitas, pontos de troca definidos e registro das atividades evitam conflitos e garantem conformidade. No turismo e no corporativo, transparência com o contratante é fundamental.
Falta de incentivos e o lugar do fretado na política de mobilidade
Mesmo sendo essencial, o fretado recebe poucos incentivos públicos. Isso pressiona custos e dificulta investimentos. Até que políticas mudem, o setor precisa apostar em previsibilidade, dados e processos claros para sustentar a operação e melhorar negociações.
Três cenários para os próximos 12 a 24 meses
O cenário conservador prevê queda lenta dos juros e poucas mudanças estruturais, favorecendo quem tem processos padronizados. O cenário de aceleração gradual prevê avanço das PPPs e melhora do crédito, beneficiando quem já monitora sua operação. O cenário de choques regulatórios exige histórico sólido e boa documentação para renegociar contratos com segurança.
Implicações práticas para o fretado
A renovação da frota deve considerar o uso real dos veículos. A manutenção precisa ser planejada e adaptada às rotas. Escalas devem ser claras e registradas. Indicadores devem ser poucos e relevantes. Reuniões frequentes e objetivas com contratantes fortalecem a parceria. Monitorar trechos sensíveis melhora o planejamento e reduz imprevistos.
O evento reforçou que o fretado sente todos os efeitos da economia, das regras, da infraestrutura e dos custos. Não há solução rápida, mas existem rotinas que trazem previsibilidade. Medir, registrar e ajustar com base em evidências é o que diferencia quem apenas reage de quem lidera. Se o país avançar em competição, infraestrutura e segurança jurídica, a exigência aumentará. Quem estiver preparado transforma esse movimento em vantagem real.
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